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sábado, 17 de janeiro de 2009

meios-irmãos, meios-estranhos

Tenho dois meios-irmãos. Os dois da parte do meu Pai. Há uma qualquer hierarquia popular que define que se chamam meios irmãos só quando partilham a mesma mãe, e só irmãos quando partilham o mesmo pai. Já nem vou questionar os porquês disso.
Temos um milhão de anos de diferença (dois milhões no caso da meia-irmã mais velha) e não temos qualquer semelhança física. Nem eles têem entre eles. Mas descobri recentemente que o meu meio-irmão também gosta muito de lençóis de flanela. E foi esquisito.
Vejo a palavra "irmão" ser usada em diferentes circunstâncias.
Há irmãos que, embora tenham as suas divergências, partilham sempre de um sentimento que os une. Quanto mais não seja, o facto de terem vivido juntos em alguma altura das suas vidas.
Há irmãos que são unha-com-carne, melhores amigos e conselheiros uns dos outros. Têem-se ali. São-se. Para o bem e para o mal.
Há irmãos que ainda que não tenham afinidades de sangue, se tratam como tal, e a irmandade é tão sentida que ninguém discute a sua legitimidade.
Há pessoas que não são irmãos mas são terrivelmente parecidos. Por vezes nem se conhecem.
E depois vimos nós, que não somos nada disto, mas que toda a gente usa as mesmas palavras para nos descrever. Sermos irmãos é uma anedota, é embaraçoso, devia ser até motivo de revolta para os verdadeiros Irmãos!
Temos algo de irmãos, a ciência pode explicar isso. Mas não pode explicar o vazio de sentimento e de tudo que há entre nós. O que somos então?
Claro que somos meios-irmãos.
E também somos estranhos.
Somos meios-irmãos, meio-estranhos.
Assim já somos todos pessoas completas.